Urologia Infantil

Dr. Schneider possui na sua formação um enfoque especial na urologia pediátrica, que trata de crianças com malformações congênitas ou atraso de desenvolvimento das funções miccionais. Além de ter feito estágios no exterior especificamente nesta área (Great Ormond Street Hospital – Londres – Inglaterra e Johannes Gutenberg Universität – Mainz – Alemanha), atuou como Docente desta área no Hospital das clinicas da USP de de 2006 a 2009 e hoje é o docente responsável por esta área no Hospital da PUC de Campinas.

As principais doenças estão listadas abaixo.

1.2.1 Hidronefrose

O que é?
É uma dilatação da via excretora do rim (pelve renal), que pode ser diagnosticada já na ultrassonografia pré-natal, podendo ser uni ou bilateral e está relacionada à obstrução do trato urinário ou refluxo de urina da bexiga para o ureter. Além disso doenças como válvula de uretra posterior e síndrome de prune belly também podem causar a hidronefrose.

Diagnóstico:
Atualmente a maioria dos casos é diagnosticada na ultrassonografia pré-natal. Ou crianças com infecções urinárias de repetição devem ser investigadas com ultrassom e demais exames a critério do urologista pediátrico.

Tratamento:
O tratamento é individualizado, de acordo com as causas específicas que causam a dilatação, podendo ser desde acompanhamento clínico, passando por medicações e até mesmo cirurgia.

1.2.2 Refluxo vésico-ureteral

O que é?
É o retorno de urina da bexiga para o rim (pelve renal), causado por um defeito na junção do ureter com a bexiga, permitindo o retorno retrógrado de urina.

Sintomas:
É a causa mais comum de infecções urinárias na infância. Sugerimos que toda criança com infecção urinária seja avaliada por um urologista.

Tratamento:
O tratamento do refluxo depende da gravidade, e pode ser realizado com acompanhamento e antibióticos, na maioria dos casos. Atualmente, o tratamento minimamente invasivo com injeção de hialuronidase (p. ex.) no meato ureteral (na bexiga) tem sido advogado como uma alternativa ao tratamento clínico, por suas boas taxas de sucesso e baixa invasividade, evitando assim o uso prolongado de antibióticos e exames no acompanhamento dessas crianças. O tratamento cirúrgico está reservado aos casos mais complexos, e com déficit da função renal.

1.2.3 Enurese noturna

O que é?
Toda criança perde xixi na cama! Por um período! Mas isto pode durar mais tempo que o suportável. Acima de 5 ou 6 anos, toda criança que perde xixi na cama deve ser avaliada por um urologista. A anormalidade está presente quando a criança não apresenta anomalias, já adquiriu controle durante o dia e perde involuntariamente durante o sono.
Filhos de pais que também tiveram o mesmo problema têm chances maiores de repetirem a mesma doença, chegando a 60% dos casos.

Como lidar com a criança enurética?
Primeiro devemos enfatizar que a culpa não é da criança. Ela não faz isso porque quer. Portanto, punição não e uma abordagem correta.
Após exame do especialista essas crianças podem ser tratadas com medicamentos que melhoram a ocorrência das perdas, mas o principal é o tratamento realizado por uma equipe multidisciplinar, envolvendo fisioterapeuta e enfermeira. Uma técnica bastante empregada e que exibe bons resultados, mas que exige um comprometimento importante dos pais é o quadro de recompensa.
Outro dispositivo bastante útil na prática é o alarme, que dispara quando a criança começa a perder durante o sono, o que pode inibir a perda e fazê-la acordar.

Resultados:
A resolução espontânea ocorre em 15% das crianças ao ano. 99% das crianças adquirem controle da urina até os 15 anos.

1.2.4 Criptorquidia

O que é?
Na bolsa testicular de meninos deve ter dois testículos, desde o nascimento. A ausência de um deles ou dos dois deve prontamente ser diagnosticada e tratada, preferencialmente antes de completar 1 ano de vida.

Achados:
O testículo “ausente” pode ser identificado logo acima do escroto ou sobre o osso púbico. Porém em alguns casos está dentro da cavidade abdominal ou é ausente.

cryptorchidism

Tratamento:
O tratamento cirúrgico desses pacientes após 1 ano de vida é imprescindível, tanto para se preservar a fertilidade futura bem como para previnir tumor de testículo que é mais prevalente em testículos criptorquídicos. Testículos que permanecem fora do escroto em após os 2 anos, já têm lesões irreversíveis que podem causar infertilidade.

1.2.5 Estenose de JUP (junção ureteropiélica)

O que é?
É um estreitamento da junção entre a pelve renal e o ureter, geralmente congênito, podendo ser resultado de um estreitamento intrínseco da junção ou compressão extrínseca por um vaso anômalo.

Sintomas:
A manifestação clínica mais comum é febre, resultante de infecção urinária, que pode ocorrer repetidamente. O rim pode ter sua função diminuída em decorrência do estreitamento.

Tratamento:
Inicialmente administram-se antibióticos para se evitar infecções, desde o momento do diagnóstico e, de acordo com a função renal, a criança pode ser acompanhada com exames periódicos, ou submetida a correção cirúrgica da região de estreitamento. A cirurgia pode ser aberta, com uma pequena incisão lombar e, mais recentemente, a técnica laparoscópica tem se estabelecido como uma técnica com excelentes resultados, além da estética muito superior, com pequenas cicatrizes que tendem a se tornarem insignificantes com o crescimento da criança.

1.2.6 Válvula de uretra posterior

O que é?
É uma malformação congênita que se localiza na uretra e causa uma obstrução total ou parcial do fluxo de urina. Conforme a severidade do acometimento local pode ter inplicações graves para a bexiga e para o trato urinário superior, devido ao acúmulo de urina e aumento da pressão local, podendo levar até mesmo à perda da função renal.

Diagnóstico:
Geralmente o diagnóstico é realizado com a ultrassonografia pré-natal, apresentando uma bexiga distendida e hidronefrose (dilatação renal) bilataral. Nos casos mais leves o diagnóstico pode ser mais tardio, manifestando-se com jato miccional fraco e estreito.

Tratamento:
O tratamento da válvula é simples, porém requer material endoscópico delicado e deve ser feito por urologista com experiência nesta doença. O principal agravante não é a válvula em si, mas os efeitos que ela causa no trato superior, mesmo ainda na fase intra-útero, e o tratamento se faz caso-a-caso. No Hospital Samaritano em São Paulo, o Dr. Schneider tem utilizado o LASER para tratamento das válvulas, bem como de estenoses de uretra, com boa evolução. A vantagem do LASER sobre os probes com bisturi elétrico é que com o LASER a área de propagação da energia é menor, com menor processo inflamatório local. Além disso é mais fácil posicionar a fibra de LASER sobre a válvula, melhorando a precisão do tratamento.

1.2.7 Hipospádia

O que é?
É uma malformação congênita da uretra, caracterizada por localização do meato uretral (ponta do canal do xixi) abaixo do local habitual, podendo ser próximo do normal, desde a glande até a base do pênis ou escroto.

hipospadia

Tratamento:
O tratamento é cirúrgico, com técnicas de cirurgia plástica e rotação de retalhos para se reconstruir o canal da uretra. Uma das técnicas mais empregadas na atualidade é a proposta e difundida pelo Dr. Snodgrass, realizada pelo Dr. Schneider, com excelentes resultados.

1.2.8 Torção testicular

O que é?
Acontece mais comumente na adolescência (geralmente entre 13 e 30 anos), devido a uma malformação do pedículo do testículo que roda sobre si mesmo, promovendo uma obstrução do fluxo sanguíneo, podendo causar a perda do testículo em algumas horas.

torcao-testicular

Sintomas:
Dor testicular de início súbito, de forte intensidade, sem uma causa identificada. Pode iniciar mesmo com o paciente em repouso e muito frequentemente é confundida com processo inflamatório chamado epididimite. Enquanto na epididimite a dor melhora ao se elevar gentilmente o testículo, na torção não há manobra que melhore a dor, exceto pontentes analgésicos ou a destorção, em mãos experientes.

Tratamento:
O intervalo de tempo ideal para o tratamento é de até 8h, sabendo-se que após esse período há uma alta incidência de atrofia testicular. O tratamento é cirúrgico, abordando-se o testículo pelo escroto, distorcendo-o e fixando no escroto para se evitar recidiva. Esse tratamento pode ser tentado em até 24h de evolução da dor, sendo que a partir de então a remoção cirúrgica do testículo seria a conduta mais apropriada.

1.2.9 Outras malformações congênitas

Podemos citar algumas: epispádia, rim multicístico, rins policístico, ectopia renal, disordens da diferenciação sexual, hidrocele, hérnia.

Resp. Téc.: Dr. Edison Schneider | Urologista - CRM/SP 90777 - RQE - 71712

Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte o seu médico.

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